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# Vitamina D: Fisiologia, Avaliação e Implicações Clínicas
- URL: https://www.medetc.com.br/vitamina-d/
- Published: 2022-03-21T15:12:46.000Z
- Updated: 2026-09-03T17:51:40.000Z
- Description: Revisão clínica sobre a vitamina D: síntese cutânea, ativação endócrina e eixo paratormônio-cálcio-fósforo. Critérios de avaliação laboratorial da 25(OH)D, pontos de corte, implicações osteometabólicas e extrarradicais, além de diretrizes para suplementação e manejo seguro da toxicidade na prática.
- Author: Pedro Miguel
- Tags: Exames Bioquímicos, Nutrientes

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**Autor/Editor:** Pedro Miguel - Formado em Nutrição pela UFMG; Pós graduado em Fitoterapia; Membro ISAK; Advanced Nutrition Specialist, pela IFBB; Colaborador do livro Biodisponibilidade de nutrientes; Graduando em psicologia;

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## Introdução

A Vitamina D, um pré-hormônio, desempenha um papel crucial na homeostase do cálcio, metabolismo ósseo e na fisiopatologia de diversas doenças. Sua principal fonte é a síntese cutânea mediada pela exposição solar, complementada por fontes alimentares

## Recomendações:

- **Exames:** 25-hidroxivitamina D (25\[OH\]D)
- **NOTA:** A **SBEM** não indica a suplementação generalizada de Vitamina D para a população.
- **Suplementação:** Colecalciferol (Vitamina D3)
  - **Dose de manutenção:** 600-2000 UI/dia;
  - **Deficiência:** 7.000 UI/dia ou 50.000 UI/semana por 6-8 semanas;
  - **Preconcepção:** 400 UI/dia;
  - **Gestantes/Lactantes:** 600 UI/dia. Para população de risco, 1500-2000 UI/dia;
- **NOTA:** Como regra geral, cada 100 UI suplementados diariamente aumentam as concentrações séricas em 0,7-1,0 ng/mL em 2 ou 3 meses (1)

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## Fisiologia da Vitamina D

A Vitamina D atua em conjunto com o paratormônio (PTH) como reguladores essenciais da homeostase do cálcio e do metabolismo ósseo (1). A principal forma circulante e de armazenamento no organismo é o **calcidiol – 25(OH)D** (3).

### Fontes e Síntese Cutânea

A Vitamina D pode ser obtida de fontes alimentares, mas a principal fonte é a **síntese cutânea endógena**, que responde por cerca de 90% da absorção da vitamina no corpo (1, 4). A síntese ocorre na pele a partir do **7-desidrocolesterol** sob exposição à luz ultravioleta-radiação B (UV-B) (2, 5). O 7-desidrocolesterol, um intermediário na síntese do colesterol, sofre uma reação não enzimática com a exposição à luz UV-B, produzindo a pré-vitamina D (pré-colecalciferol) (1, 2, 5). Posteriormente, essa pré-vitamina sofre uma reação dependente de temperatura para formar o **colecalciferol (Vitamina D3)** (1, 2). A **Vitamina D2 (ergocalciferol)** é a forma pré-ativa obtida de fontes vegetais (6).

### Ativação e Ação no Organismo

O colecalciferol (Vitamina D3), seja sintetizado na pele ou obtido da dieta, sofre duas hidroxilações: a primeira no fígado e a segunda nos rins, para produzir o metabólito ativo **1,25-di-hidroxivitamina D, também conhecido como calcitriol** (1-3, 7). O calcitriol também pode ser formado em menor quantidade em outros tecidos, como mama, próstata, cólon e células do sistema imune (7).

Para desempenhar suas funções, a Vitamina D precisa ser convertida em calcitriol (3). Sua meia-vida é curta (4-6 horas), e sua síntese é regulada pelas concentrações séricas de cálcio, fósforo e PTH (7). O calcitriol age principalmente como um hormônio esteroide, ligando-se a receptores nucleares e aumentando a expressão de genes. Além disso, exerce efeitos rápidos sobre os transportadores de cálcio na mucosa intestinal, contribuindo para a massa óssea e a função muscular (1, 2).

A principal função do calcitriol é controlar a **homeostase do cálcio e do fósforo**, regulada por fatores que respondem às concentrações plasmáticas desses minerais (2, 3). O calcitriol exerce esse efeito de três maneiras:

- Aumentando a absorção intestinal de cálcio (2, 3).
- Reduzindo a excreção de cálcio através da estimulação da reabsorção nos túbulos renais distais (2, 3).
- Mobilizando o mineral ósseo (2, 3).

Adicionalmente, o calcitriol está envolvido na secreção de insulina, na síntese e secreção do paratormônio e dos hormônios tireoidianos, na inibição da síntese de interleucinas por linfócitos T ativados e de imunoglobulinas por linfócitos B ativados, na diferenciação de células precursoras de monócitos e na modulação da proliferação celular em diversos órgãos, incluindo cérebro, rins, próstata, mamas, cólon, coração, pâncreas, células mononucleares e linfócitos ativados da pele (2, 3). A presença de receptores de Vitamina D em diversos tecidos sugere seu papel fisiológico fundamental (8).

### Biodisponibilidade e Metabolismo

As formas da Vitamina D disponíveis na natureza são o ergocalciferol (Vit. D2) e o colecalciferol (Vit. D3) (1, 3). A Vitamina D de fontes vegetais está na forma de Vit. D2, enquanto a de fontes animais está na forma de Vit. D3 (1). A quantidade de gordura ingerida com a Vitamina D3 não parece alterar significativamente sua biodisponibilidade (3). No entanto, medicamentos que inibem a absorção de gordura podem diminuir a absorção da vitamina (3). Formas farmacêuticas e alimentos-fonte parecem promover aumentos semelhantes nas concentrações séricas de 25(OH)D (3). A capacidade de síntese de Vitamina D3 na pele é reduzida em 75% em indivíduos de 70 anos (3). Algumas doenças podem aumentar a degradação da Vitamina D devido ao consumo aumentado de 1,25(OH)2D por células inflamatórias, como na artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico e tuberculose (5).

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## Avaliação do Status Nutricional

A análise do status da Vitamina D deve ser feita pela **25-hidroxivitamina D (25\[OH\]D)**, que reflete melhor os estoques corpóreos, abrangendo tanto a Vit. D2 quanto a Vit. D3 (1, 3, 5, 6).

- **Deficiência**: < 20 ng/mL (6).
- **Insuficiência**: Entre 20 e 29 ng/mL (6).
- **Ideal**: Entre 30 e 60 ng/mL (75-150 nmol/L) (5-7, 9).
- **Toxicidade**: > 100 ng/mL (250 nmol/L) (1, 3).

**Nota**: Para converter ng/mL para nmol/L, multiplique por 2,5 (1 ng/mL ≈ 2,496 nmol/L) (1). A Vitamina D possui uma meia-vida de aproximadamente 15 dias (3). Em quadros inflamatórios crônicos, a concentração sanguínea da Vitamina D pode aumentar significativamente (3). Não há indicação para níveis de Vitamina D acima de 60 ng/mL em nenhuma situação (5). Concentrações superiores a 100 ng/mL oferecem risco de toxicidade e hipercalcemia (3).

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## Deficiência de Vitamina D: Fatores de Risco e Consequências

Fatores como pele escura, idade avançada, pouca exposição solar, obesidade, síndromes de má absorção e doença inflamatória intestinal podem aumentar o risco de deficiência de Vitamina D (3, 7). A obesidade, em particular, está associada a concentrações reduzidas de Vitamina D, possivelmente devido ao sequestro da vitamina pelos adipócitos (3, 7).

### Consequências da Deficiência:

- **Osteomalácia**: Em adultos, a deficiência grave promove a osteomalácia, caracterizada pela falha na mineralização da matriz orgânica dos ossos, resultando em ossos fracos, sensíveis à pressão, fraqueza nos músculos proximais e aumento da frequência de fraturas (1, 3).
- **Osteoporose**: Em idosos, a deficiência de Vitamina D pode levar a menor absorção de cálcio, com efeitos importantes no desenvolvimento da osteoporose pós-menopausa (3).
- **Infecções respiratórias**: A deficiência tem sido associada ao aumento de infecções respiratórias, pois a Vitamina D influencia diversos aspectos do sistema imune, particularmente o sistema inato (4).

Embora a Vitamina D seja essencial para o tratamento e prevenção da osteomalácia em idosos, há poucas evidências de que seja benéfica no tratamento da osteoporose já estabelecida (2).

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## Recomendações e Suplementação

### Exposição Solar

Sugere-se que 15 minutos de exposição solar, 3 vezes por semana, seriam suficientes para suprir a necessidade diária de Vitamina D (7). No entanto, pouca vitamina é produzida antes das 09:00h e depois das 15:00h (7). Fatores como melanina e protetores solares também influenciam a absorção da radiação UV-B, diminuindo a eficiência da produção de vitamina (7).

### Fontes Alimentares (1, 3):

- Salmão selvagem (600 UI)
- Salmão de criação (100 UI)
- Sardinha em conserva (300 UI)
- Cavala em conserva (250 UI)
- Atum em conserva (230 UI)
- Óleo de fígado de bacalhau (400 UI)
- Alimentos derivados do leite
- Gema de ovo (20 UI)
- Margarinas enriquecidas
- Cogumelos frescos (100 UI)
- Cogumelos secos ao sol (1600 UI)

Vegetais geralmente não contêm quantidades significativas da vitamina, não sendo considerados fontes primárias (7).

### Suplementação Nutricional

A forma mais disponível e efetiva para tratamento e suplementação é o **colecalciferol (Vitamina D3)** (1). Como regra geral, cada 100 UI suplementados diariamente aumentam as concentrações séricas em 0,7-1,0 ng/mL em 2 ou 3 meses (1). Não parece haver diferença na absorção entre o consumo em jejum ou junto às refeições (1).

Algumas evidências sugerem que é preferível suplementar baixas doses diariamente a uma dose elevada uma única vez (6, 11). Em idosos, doses mensais maiores não são tão interessantes devido à falta de efeitos esqueléticos significativos; doses diárias ou semanais são mais fisiológicas (5).

- **Pré-concepção**: 400 UI/dia de colecalciferol (12).
- **Gestantes/Lactantes**: 600 UI/dia. Para população de risco, 1500-2000 UI/dia (1).
- **Dose de manutenção**: 600-2000 UI/dia (1, 4).
- **Deficiência (doses medicamentosas)**: 7.000 UI/dia ou 50.000 UI/semana por 6-8 semanas (1, 4).
- A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) **não indica a suplementação generalizada** de Vitamina D para toda a população (1, 3).

Doses de até 10.000 UI por dia por cinco meses não induziram sinais de toxicidade (1). No entanto, o máximo seguro recomendado pela EFSA é de 4000 UI (8). Em casos de má absorção, doses maiores podem ser necessárias para normalizar as concentrações (1). Durante a gestação, doses diárias são recomendadas em vez de semanais, devido a uma menor regulação da produção fetal (1).

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## Hipervitaminose e Interações Medicamentosas

### Hipervitaminose

Embora a Vitamina D obtida em excesso pela dieta possa ser tóxica, a exposição excessiva à luz solar não leva à intoxicação (2). Isso se deve à capacidade limitada de sintetizar o precursor 7-desidrocolesterol e ao fato de que a exposição prolongada da pré-vitamina D à luz solar leva à formação de compostos inativos (2). No entanto, o excesso de exposição solar aumenta o risco de câncer de pele (2).

A ingestão excessiva de Vitamina D pode causar fraqueza, náuseas, perda de apetite, dor de cabeça, dores abdominais, cãibras e diarreias (3). Também pode levar à **hipercalcemia**, com concentrações plasmáticas de cálcio atingindo 2,75-4,5 mmol/L (3). A maioria dos casos de hipercalcemia por Vitamina D resultou da ingestão de doses superiores a 250 mcg/dia, enquanto a recomendação é de 10 mcg/dia (3). É importante notar que a hipercalcemia pode persistir por meses após a descontinuação da ingestão elevada, devido ao acúmulo da vitamina no tecido adiposo e sua liberação lenta para a circulação (3). Embora rara, a hipervitaminose pode ocorrer em níveis abaixo de 120 ng/mL, e a correlação entre níveis elevados de Vitamina D e cálcio pode ser controversa (13).

### Interação Fármaco-Nutriente

Algumas medicações, como antiepiléticos, corticosteroides e aquelas que reduzem a absorção de gorduras, estão relacionadas à deficiência de Vitamina D (3). Medicamentos como anticonvulsivantes (carbamazepina, fenobarbital, hidantoína), antirretrovirais (efavirenz, tenofovir), antibióticos e agentes antifúngicos (isoniazida, cetoconazol) podem aumentar a degradação da Vitamina D e seus metabólitos (5).

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## Implicações Clínicas Específicas da Vitamina D

### Saúde Óssea

Sem a presença da Vitamina D, apenas 10%-15% do cálcio ingerido é absorvido; com a vitamina, a absorção intestinal aumenta para cerca de 30%-40% (7). O calcitriol estimula a absorção intestinal de cálcio pela interação com seu receptor nuclear (VDR) nos enterócitos (7). O aumento da absorção de cálcio inibe o PTH, diminuindo a reabsorção óssea (7).

Concentrações séricas de Vitamina D a partir de 30 ng/mL beneficiam a saúde óssea, com alguns estudos sugerindo que valores próximos a 36 ng/mL são mais vantajosos para uma melhor densidade mineral óssea (DMO) e redução do risco de quedas e fraturas osteoporóticas (1, 7). O tratamento da deficiência de Vitamina D em pacientes com osteoporose e risco aumentado de fraturas utiliza colecalciferol (D3) com o objetivo de manter concentrações séricas acima de 30 ng/mL, com doses diárias entre 1000-2000 UI (7).

### Gestação

Alguns estudos recomendam a ingestão de 10 mcg (400 UI) de Vitamina D do período pré-concepção até o final do primeiro trimestre (12). Na Inglaterra, a suplementação é recomendada da gestação até a lactação (12). As concentrações de Vitamina D do bebê estão intimamente correlacionadas com as da mãe. A placenta pode converter Vitamina D em calcitriol de forma dependente da quantidade de substrato (1). A deficiência de Vitamina D na gestação é associada a risco elevado de diabetes mellitus gestacional (DMG), pré-eclâmpsia, necessidade de cesariana, distúrbios pulmonares/respiratórios e cáries dentais nos filhos (3, 7). Uma meta-análise reforçou a associação entre a deficiência de Vitamina D e o risco de DMG, e que a suplementação pode ser útil no controle do DMG (3). Estudos mostram que os níveis séricos de Vitamina D estão relacionados com DMG, pré-eclâmpsia, baixo peso ao nascer e vaginose bacteriana (1). A deficiência de Vitamina D, tanto em homens quanto em mulheres, está associada à infertilidade (14). Não há evidência suficiente para justificar a suplementação rotineira de Vitamina D para todas as gestantes (15).

### Atividade Física

Baixos níveis de Vitamina D estão associados a um risco 3,6 vezes maior de fraturas por estresse (4). Não foram constatados efeitos ergogênicos com a suplementação de Vitamina D (16).

A suplementação de vitamina D não tem demonstrado consistentemente melhorar o desempenho no exercício, embora a suplementação de vitamina D e cálcio possa beneficiar a saúde óssea em alguns atletas. (18)

### Câncer

A maioria dos estudos observacionais sugere que a Vitamina D possui efeitos benéficos no risco de desenvolvimento de câncer de cólon, mama, próstata e ovários (3). Concentrações de 25(OH)D menores que 30 ng/mL (75 nmol/L) foram associadas a um risco aproximadamente duas vezes maior de câncer de cólon e maior incidência de adenomas (3). Homens finlandeses com concentrações séricas de 25(OH)D menores que 40 nmol/L apresentaram uma incidência 70% maior de câncer em relação àqueles com valores superiores (3). O calcitriol regula genes envolvidos na transformação de células normais em cancerígenas, controlando o ciclo celular, apoptose, adesão e proliferação celular (3, 7). Indivíduos com concentrações séricas abaixo de 20 ng/mL apresentam um risco 30%-50% maior de desenvolver câncer de cólon, mama e próstata (7). A suplementação de 2000 UI/dia pode reduzir o risco de câncer (9). Uma meta-análise mostrou que a suplementação de Vitamina D (especificamente D3) está associada a uma redução de 16% na mortalidade por câncer (17).

### Diabetes

A deficiência de Vitamina D é um fator de risco para a incidência e prevalência de diabetes mellitus tipo 1 e 2 (3). Um mecanismo direto pode ser a ligação da sua forma ativa a receptores nas células beta pancreáticas (3). A secreção de insulina é mediada pelo cálcio, e alterações no fluxo de cálcio podem prejudicar a função secretora das células pancreáticas e a ação da insulina (1, 3). A Vitamina D pode estimular a expressão de receptores de insulina, aumentando sua sensibilidade (3, 7). No diabetes tipo 1, concentrações adequadas de Vitamina D parecem reduzir a destruição autoimune das células beta-pancreáticas (3). A suplementação na infância parece protetora contra o desenvolvimento de DM1 (1, 7). A Vitamina D pode melhorar a sensibilidade à insulina e promover a sobrevivência das células beta ao modular a geração e os efeitos de citocinas pró-inflamatórias (1, 3). No entanto, a suplementação de Vitamina D não demonstrou diminuir o risco de DM2 (5). Alguns estudos sugerem que 4000 UI/dia pode reduzir a progressão do pré-diabetes para o diabetes (9).

### Hipertensão

As evidências que relacionam a Vitamina D à hipertensão são menos conclusivas do que para câncer ou diabetes (3). Estudos epidemiológicos e observacionais apontam associação entre o micronutriente e a hipertensão arterial e aterosclerose (3). Sugere-se que quanto maiores as concentrações séricas de Vitamina D, menores são os valores médios de pressão sanguínea e a prevalência de hipertensão (3). Em indivíduos obesos, hipertensos e diabéticos, a prevalência de fatores de risco cardiovascular foi 20,5% nos quartis mais baixos de 25(OH)D (< 52 nmol/L) vs. 15,1% nos quartis mais altos (> 65 nmol/L), uma diferença de 26% (3).

### Obesidade

A Vitamina D está ligada à obesidade por mecanismos de regulação da adipogênese (3). Baixas concentrações sanguíneas estimulam a liberação de mediadores inflamatórios que contribuem para o ganho de peso (3). Indivíduos obesos apresentam concentrações importantes de Vitamina D armazenadas nos adipócitos, mas a circulação geralmente é insuficiente, impedindo sua ação em outros tecidos (3, 7), caracterizando um "sequestro" da vitamina (1). A Vitamina D inibe a ativação de fatores de transcrição adipogênicos e o acúmulo de gordura nos adipócitos durante a diferenciação celular (3). Baixas concentrações de Vitamina D circulante podem induzir hiperparatireoidismo secundário, que está relacionado ao ganho de peso (3). A suplementação de Vitamina D não demonstrou efeitos na perda de peso e não há segurança para doses de referência para esse grupo, pois obesos são mais resistentes e necessitam de doses maiores para atingir concentrações ideais (3, 7). No entanto, em ratos obesos, a suplementação com doses elevadas de cálcio e Vitamina D reduziu o peso e a massa gorda (1). A concentração sérica de Vitamina D foi inversamente relacionada com marcadores pró-inflamatórios (PCR, IL-6, TNF-α) e parâmetros de resistência à insulina, e positivamente associada com adiponectina (7).

### Imunidade

Estudos sugerem que a Vitamina D pode modular o sistema imune inato, e a hipovitaminose D pode impactar negativamente doenças infecciosas (1). Três mecanismos principais foram propostos: melhora da barreira física, imunidade celular natural e imunidade adaptativa (9). A Vitamina D mantém as *tight junctions*, *gap junctions* e *adherens junctions* (9). O tratamento de linfócitos T com 1,25(OH)2D3 inibe sua ativação e proliferação, alterando o perfil de expressão de citocinas e reduzindo a síntese de interferon-γ e IL-12 a partir de linfócitos TCD4+ (3). Os efeitos mais pronunciados da Vitamina D sobre as células imunes são nas células dendríticas, inibindo sua maturação e diferenciação, e reduzindo a expressão de moléculas coestimulatórias (3). Fatores inflamatórios derivados de patógenos (e.g., LPS) ou mediadores inflamatórios estimulam a atividade da enzima 1α-hidroxilase, contribuindo para o aumento da produção de 1,25(OH)2D3 (3). Em quadros inflamatórios crônicos, a concentração sanguínea de Vitamina D pode aumentar significativamente.

### Efeito Anti-inflamatório

A Vitamina D reduz a produção de citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e interferon-γ (9). A administração de Vitamina D reduziu a expressão dessas citocinas e aumentou a expressão de citocinas anti-inflamatórias por macrófagos (9).

### Psoríase

A forma ativa da Vitamina D é um potente inibidor da proliferação de queratinócitos e pode ser usada com segurança em doenças hiperproliferativas não malignas da pele, como a psoríase (1). A aplicação de 1,25(OH)2D3 ou seu análogo calcipotriol pode ser um tratamento de primeira linha para a psoríase (1).

### Idosos

Em idosos, há maior chance de deficiência devido à menor capacidade de síntese de Vitamina D pela pele, menor absorção intestinal e menor ativação renal da forma inativa (6). Estudos epidemiológicos associam baixa ingestão de Vitamina D a declínio cognitivo, aumento do risco de Alzheimer e depressão (1). O mecanismo proposto envolve formação e agregação de β-amiloide, desregulação do sistema gabaérgico e aumento do influxo de cálcio nos neurônios (1). Receptores de Vitamina D (VDR) estão presentes em células precursoras do músculo esquelético, e seu número tende a diminuir com a idade (5, 7). A suplementação de Vitamina D pode aumentar esses receptores em fibras musculares tipo 2 (5, 7). A queda nos níveis desses receptores pode estar relacionada à atrofia muscular (5). Um estudo brasileiro mostrou aumento significativo na força de pacientes idosos apenas com suplementação de colecalciferol, sem atividade física regular (5).

### Doenças Autoimunes

Estudos relacionam benefícios da Vitamina D e exposição solar à redução do risco de doenças autoimunes como esclerose múltipla (EM), artrite reumatoide (AR), lúpus eritematoso sistêmico (LES), Doença de Crohn e diabetes tipo 1, e doença celíaca (7). A quantidade de Vitamina D no ambiente afeta o desenvolvimento e função de linfócitos T, modulando a função imune (3). Células T expressam VDR, exercendo múltiplos efeitos imunomodulatórios (7). Indivíduos geneticamente predispostos que não mantêm concentrações adequadas de Vitamina D ou possuem polimorfismos em genes relacionados ao metabolismo, catabolismo ou função da vitamina, têm maior probabilidade de desenvolver DII e EM (3).

### Esclerose Múltipla

A suplementação de Vitamina D tem sido considerada terapia complementar na EM (7).

### Lúpus Eritematoso Sistêmico

A suplementação de vitamina no LES parece contribuir para uma redução significativa na positividade de antígenos, um marcador de manifestações clínicas (7).

### Artrite Reumatoide

Há uma tendência de redução da atividade da doença reumática com a utilização de Vitamina D na AR, com possível redução da recorrência (7).

### Infecções Respiratórias

A suplementação de Vitamina D, embora não diminua o risco de infecções respiratórias, pode diminuir o tempo de duração dos sintomas (11). Concentrações séricas normais (15-50 ng/mL) não conferem proteção adicional em valores superiores (11).

### Audição

Pode gerar efeitos na audição, ocasionando perda auditiva devido ao metabolismo do cálcio (14).

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## Referências Bibliográficas

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